sábado, 15 de setembro de 2012

Trabalho de Conclusão de Curso - (TCC)




SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE - FURG
SISTEMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL - UAB
ESPECIALIZAÇÃO EM TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA EDUCAÇÃO
TIC-EDU 2012

LEIA COMIGO
                                                
Orientador(a): Msc. Valéria Ferreira de Oliveira
Banca: Msc. Joice Rejane Pardo Maurell

Polo Extremo Meridional
2012
LEIA COMIGO
ROZANE CORRÊA SCHMALFUSS

RESUMO
O presente artigo tem como finalidade relatar e analisar os dados coletados na aplicação de um Projeto de Ação na Escola (PAE), construído no curso de pós-graduação em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação (TIC-Edu), no nível de especialização e na modalidade à distância pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Assim, o projeto visou despertar o interesse e o gosto pela leitura e aperfeiçoá-la, de modo a garantir o domínio da prática, tendo como recurso as tecnologias que ajudam a desenvolver as habilidades de interação oral e escrita, mais especificamente o Objeto Virtual de Aprendizagem (OVA) – Alfabetização ‘Viagem Espacial’. Este, por sua vez, teve como objetivos proporcionar desafios, realizados através do computador, que contribuíssem para o processo de ensino aprendizagem das crianças em fase de alfabetização, como também, cooperar com um público específico de alunos que apresentavam algum tipo de deficiência intelectual e/ou física, tudo isso sendo mediado pelo professor que através das metodologias construtivistas gera atividades criativas, valorizando a prática pedagógica e promovendo situações de aprendizado. Toda essa vivência das ações elaboradas durante o projeto promoveu na turma do 2º ano do Ensino Fundamental maior interesse pela leitura, fazendo com que a melhoria no aprendizado fosse o resultado do projeto realizado.
Palavras-chaves: Objetos Virtuais de Aprendizagem. Alfabetização.  Mediação Pedagógica. Leitura.

1- INTRODUÇÃO
Logo após ter concluído o magistério comecei a exercer a profissão na rede municipal, no ano seguinte a esse começo passei a cursar a minha primeira graduação, a Licenciatura Plena em Letras – Português/ Inglês realizada em Santa Vitória do Palmar pela Fundação Universidade de Rio Grande – FURG, foi então que a minha realidade como professora começou a mudar, pois, busquei este curso a fim de que pudesse estar me atualizando e que viesse promover melhorias na minha prática docente, então com o ingresso no curso de pós-graduação em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação (TIC-Edu) pude perceber que o uso das tecnologias aliadas a mediação pedagógica vem contribuir para o processo ensino-aprendizagem.
Assim, este trabalho foi elaborado com o propósito de atender as exigências necessárias para a conclusão do curso de pós-graduação em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação (TIC-Edu), no nível de especialização e na modalidade à distância pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG e ainda relatar e analisar o Projeto de Ação na Escola (PAE) Leia Comigo, que foi fundamentado em metodologias construtivistas, tendo como recurso motivador o uso das tecnologias, dando ênfase ao uso do Objeto Virtual de Aprendizagem (OVA) – Alfabetização ‘Viagem Espacial’.
O referido projeto teve como objetivo diminuir as dificuldades na aquisição da leitura e da escrita, promover e ampliar os conhecimentos e o uso das tecnologias, bem como, refletir sobre a mediação pedagógica dos recursos tecnológicos no Projeto de Ação na Escola, pois quando falamos nas Tecnologias da Informação percebemos que a sociedade está mudando e, cada vez mais somos surpreendidos com grandes inovações tecnológicas, que se inserem em nossas vidas com muita rapidez. Esse avanço tecnológico desafia-nos a interagir e com isso nos proporciona a informação e o conhecimento, capazes de propor uma nova maneira de organizar nossas ideias, de selecionar e de promover a construção de aprendizados significativos, trazendo benefícios à comunidade em geral, sobretudo, a projetos que primem pela qualidade e o desenvolvimento da educação. Sendo assim, estaremos contribuindo para a formação de um cidadão crítico que saiba usar os meios tecnológicos com eficácia.
Ao relatar fatos que dizem respeito a uma trajetória de acontecimentos no cotidiano, que compreende a minha formação escolar e acadêmica e sobre tudo a minha vida profissional, cito Portelli (1997), o qual diz que apesar das memórias individuais serem constituídas a partir dessa vivência socialmente compartilhada, elas serão sempre singulares e únicas, pois cada sujeito traz consigo uma experiência própria de vida e, neste aspecto, reforço minha ideia de que tudo o que pensamos e que obviamente acabamos falando é fruto de uma gama de informações que se constitui serem apenas nossas, onde nos tornamos meros repetidores de uma memória culturalmente enriquecida de fatos e ações conhecidas, sentidas ou presenciadas por nós durante toda nossa vida, assim, o ingresso na escola, a formação escolar e acadêmica até a presente data constituíram uma história de vida e, porque não dizer, uma descoberta de possibilidades que aliada à persistência me conduziu ao conhecimento, me proporcionou experiências no decorrer da jornada, fato que possibilitou a conquista de espaços que são preciosos para minha pessoa.
Reitero o quanto foi e é importante a inserção das tecnologias na minha vida profissional e acadêmica, sendo também fundamental para minha trajetória educacional no curso de pós-graduação em Tecnologia da Informação e Comunicação na Educação (TIC-Edu).
Para tanto, igualmente, saliento que a família aliada a todo esse trabalho é peça fundamental, de maneira a contribuir na formação da criança, pois acredito que a presença da família, e a maneira pela qual se posiciona, é determinante nesta etapa fazendo-a entender o quanto valores como respeito, educação, cidadania são importantes para sua vida, e afirmo que tais aspectos fizeram parte do relato do Projeto de Ação na Escola (PAE) – o projeto Leia Comigo.
Todos esses anos me fizeram reconhecer o quanto é importante zelar pela vida em família e todos os benefícios que esse convívio nos proporciona, da luta, da persistência dos meus pais para garantir o bem-estar de todos. Vejo hoje situações que se assemelham à vida passada, porém com mais recursos, facilidades que antes não tínhamos ou desconhecíamos. Esses fatores foram de extrema relevância na busca por melhorias na minha vida com finalidade de ser uma profissional atuante, participativa e sempre disposta a aprender, assim, o conversar é um fluir na convivência, no entrelaçamento do linguagear e do emocional. Segundo Maturana (2006) se aprendermos uma profissão, estamos aprendendo uma rede de conversações, com isso, estamos em constante aprendizado, isso facilitará para conduzirmos as ações no dia a dia, melhorando a nossa convivência.
Ao ingressar no curso Tecnologia da Informação e Comunicação na Educação (TIC-Edu) obtive uma nova visão da aplicabilidade dos recursos tecnológicos na área da educação e, sobretudo, adquiri um aprendizado quanto ao seu uso em geral, que mesmo não identificando o seu valor, na verdade sempre estiveram presentes no meu cotidiano, e nas minhas lembranças, e que delas fazia uso rotineiramente como que numa forma alternativa de garantir uma boa maneira de se viver. Segundo Kenski (1997) as tecnologias modificaram as formas de retentiva e lembrança, funções usuais com que os homens armazenam e movimentam suas memórias humanas, seus conhecimentos.
Atualmente, as novas tecnologias de comunicação não apenas transformam as formas de armazenamento e acesso das memórias humanas como, também, mudam o próprio sentido do que é memória. Assim sendo posso garantir que tanto as tecnologias velhas, como as novas fazem parte de minhas ações que estão inseridas tão profundamente, que se torna totalmente inviável sem elas o desenvolvimento das atividades tanto no contexto social como no pedagógico. Neste último, percebo que os conhecimentos adquiridos com o curso fizeram com que as atividades docentes que exercia ficassem bem mais enriquecidas, tornando a minha prática mais segura, visto isso posso salientar que conquistei conhecimento sobre as diversas maneiras em que as tecnologias podem ser inseridas nas atividades docentes de forma a contribuir para o aprendizado dos alunos.
Ainda é válido ressaltar que todas as leituras feitas, todas as atividades realizadas, todos os textos elaborados foram e ainda estão sendo valiosos instrumentos para o meu embasamento teórico referente às exigências e necessidades da era do conhecimento que vivemos, além disso, garanto que a modalidade de ensino em que o curso é ofertado – Educação a Distância (EaD) traz inúmeras vantagens para que possamos nos apropriar dos assuntos que devemos estudar, pois, acredito que o ponto principal dessa modalidade é o aprender e fazer por si só, onde os comandos e as orientações dos professores e tutores prevalecem, mas o destaque para o perfeito rendimento no curso é o aluno que tem que querer ir além.
Dessa forma, o Projeto de Ação na Escola (PAE) foi desenvolvido, e, entendendo as dificuldades enfrentadas pelos alunos na aquisição da leitura e da escrita, promovi e enfrentei desafios de forma a construir o conhecimento, usando as tecnologias e, sobretudo, o (OVA) – Alfabetização ‘Viagem Espacial’ no projeto Leia Comigo.
Em suma, a presente análise irá pautar-se em uma reflexão acerca do (OVA) como sendo um recurso pedagógico de extrema valia ao professor, já que este poderá explorá-lo, desenvolvendo em sala de aula a leitura e a escrita. Para tais elucubrações, no desenvolvimento dos textos, serão utilizados autores de renome como: Ferreiro e Teberosky, Valente, Neto, Moraes, entre outros, de extrema relevância para o entendimento do assunto proposto. A seguir relata-se o desenvolvimento da experiência através do projeto Leia Comigo.

2- O OVA COMO UMA DAS FERRAMENTAS PEDAGÓGICAS QUE CONTRIBUI NO PROCESSO DE LEITURA E ESCRITA
Inicialmente, para falar em Educação, pensamos na leitura, como fator primordial à alfabetização do aluno. Infelizmente no Brasil poucas pessoas possuem o hábito de ler. A leitura como fator educacional, constrói dentro do ser humano, um campo enorme de conhecimento, seja do mundo, como de si mesmo. A leitura é à base do processo de alfabetização e também da formação da cidadania. Ao ler uma história a criança desenvolve todo um potencial crítico: pensar, duvidar, questionar e, para Silva (2009) o ler se torna estimulante. Pensando nisso, achei necessário que algumas ações a serem vivenciadas no Projeto de Ação na Escola (PAE) estivessem voltadas para o uso das tecnologias, fato que contribuiu para inserir o Objeto Virtual de Aprendizagem (OVA), Alfabetização, como recurso específico, que tem o propósito de atender não apenas alunos em fase de alfabetização, mas também a um grupo especial de alunos que apresentem algum tipo de deficiência, seja ela intelectual e/ou física.
O (OVA) Alfabetização – ‘Viagem Espacial’, de modo geral, serve como recurso pedagógico de apoio no processo de ensino aprendizagem dos alunos das séries iniciais do ensino fundamental, considerado como base teórica da alfabetização, nos níveis de desenvolvimento e da aquisição da Língua Escrita, ideias de Ferreiro e Teberosky (1986), com atividades que exercitam o nível pré-silábico, o silábico e o alfabético, servindo para despertar e desenvolver no aluno, de maneira lúdica, a capacidade de atenção e raciocínio e proporcionando ao professor a possibilidade de interagir como elemento motivador e participante, contribuindo para que o aluno seja capaz de construir o conhecimento e atingir os seus objetivos.
A nossa escola atualmente propõe o letramento e alfabetização da criança através do contato com uma gama variada de texto, com destaque especial aos livros de Literatura Infantis, hoje disponibilizados amplamente pela Internet. A criança, ao ficar inserida nesse contexto, amplia seu mundo letrado, rico em significados, desenvolvendo-se como cidadão participativo, mais autônomo e mais consciente dos seus direitos e deveres, realizando melhor a leitura do mundo que a cerca.
Ao entrar em contato com o universo dos contos de fadas, que segundo Bettelhein (2002) oferece níveis diferentes de significado, a criança enriquece sua existência pela diversidade das contribuições possibilitadas por esses contos à sua vida. Ela vai construindo o seu conhecimento da linguagem escrita de maneira prazerosa e interessante.
De acordo com Valente (2000), com o computador e a tecnologia digital o aluno interage com os objetos de conhecimento de maneira mais rica. Cabe ao professor, como mediador desse processo, apropriar-se definitivamente destas ferramentas e mecanismos, que são as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), para que o aluno usufrua da diversidade textual contida nas telas, ampliando com isso suas possibilidades de escolhas.

2.1- OBJETOS VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM - CONCEITOS
Para entender e conhecer os Objetos Virtuais de Aprendizagem podemos conceituá-los como qualquer recurso digital ou não, elaborados para atuarem como recursos na educação. Tem-se como exemplos: textos, animações, vídeos, imagens, com características primordiais de serem reaproveitados em diferentes situações de aprendizado. Assim, para Neto (2008) podemos considerar o (OVA) como qualquer entidade, digital ou não digital, que possa ser utilizada, reutilizada ou referenciada durante o aprendizado, suportado por tecnologias.
            São muitas as definições a cerca dos Objetos Virtuais de Aprendizagens (OVA), mas o Objeto Virtual de Aprendizagem o qual fazemos referência neste artigo é um recurso digital reutilizável, com atividades consideradas de multimídia, com animações e simulações, fato que esclarece a maneira interativa que exerce.
            Notamos que assim o aluno tem possibilidade de construir o conhecimento, mas de uma forma diferenciada, mais alegre, ele constrói o conhecimento brincando, assim se retrata mais uma característica dos Objetos Virtuais de Aprendizagens (OVA), o lúdico.
            O lúdico pode colaborar de forma expressiva para o crescimento do ser humano, seja ele de qualquer idade, cooperando não só na aprendizagem, mas também no desenvolvimento social, pessoal e cultural, facilitando no processo de socialização, comunicação, expressão e construção do pensamento. 
         É notável a importância do “lúdico” como os jogos, os brinquedos e as brincadeiras para crescimento físico e intelectual e no desenvolvimento do ensino aprendizagem do aluno. As atividades lúdicas são de suma importância na infância, o seu uso contribui no trabalho pedagógico, estimulando a construção do conhecimento e despertando o interesse pela aprendizagem.
            Um (OVA) pode ajudar o professor no seu dia a dia em sala de aula, para complementar e enriquecer as atividades de rotina, uma vez que oferece diferentes ferramentas para apoiar o processo de aprendizagem, mas se deve ter cautela e bom senso no uso dos elementos como multimídia em simulações, imagens, textos, sons, animações e vídeos, estes se bem usados poderão contribuir e desempenhar um papel importante na aquisição de conhecimento, e caso contrário, se alguns elementos forem usados com excesso o resultado poderá ser a exaustão, fazendo com que o aluno perca o interesse em executar as atividades, para isso seria aconselhável reutilizar, porém com diversidade e criatividade. 
            Mas, certamente, os (OVA) podem ser considerados na totalidade recursos pedagógicos que despertam a atenção e o empenho para desenvolver as atividades, permitindo aos alunos acompanhar o conteúdo em seu ritmo, o acesso a informações de forma fácil e envolvente, de forma independente e autônoma na aprendizagem, pela descoberta do novo.
Esta ferramenta favorece aos alunos uma participação ativa na construção do conhecimento e desenvolvimento cognitivo. Este (OVA) sugere ao aluno uma viagem espacial dentro do ambiente do software, onde o aluno é convidado a participar e é desafiado a resolver as atividades que nele se encontram. Estas contemplarão conceitos relativos ao processo de alfabetização e, em cada desafio concluído, novas atividades são ofertadas para que o aluno desenvolva-se avançando nas fases de alfabetização[1].
No Objeto se percebe efeito de sons e fala de personagens que com sua presença promovem interação com o aluno, sugerindo a ele os caminhos adequados a seguir em sua viagem. Para iniciar a viagem existe um período de pré-viagem, essas atividades têm como objetivo organizar-se para a viagem, que é o primeiro desafio a ser vencido e, na sequência ao passar a fase de pré-viagem, o aluno tem acesso à tela onde estão os três ‘planetas’, mundos distinto que devem ser percorridos, mas só poderá começar pelo mundo de nível inicial, onde as atividades são de nível pré-silábico. As atividades do segundo mundo são de nível silábico e as do terceiro são de nível alfabético.
Dentro de cada mundo, o aluno poderá clicar em cada ambiente, que corresponde a um desafio. Os ambientes estão indicados no cenário que se apresenta na tela, por postes com bandeirinha em vermelho. Ao concluir cada desafio a bandeirinha fica com a cor verde, o que facilita perceber o que já foi realizado e o que ainda falta fazer para poder partir para o próximo mundo. As ações do (OVA) são todas narradas e sobre tudo ainda aparece o texto em cada tela, escrito em balões de fala que acompanham o personagem. Durante o desafio o aluno poderá ser auxiliado clicando no botão de ajuda caso tenha dúvidas sobre como proceder diante da atividade.
2.2- OBJETOS VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM E A MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA
O mundo, as pessoas, as atitudes estão mudando e isso está ocorrendo de maneira quase despercebida, o surgimento das tecnologias da informação e comunicação contribuem de forma enfática para que ocorram essas mudanças, principalmente na Educação, pois se apropriarmos a metodologia e os recursos audiovisuais e de multimídia de maneira que haja interação com os alunos é, também, uma forma de fazer da aula um momento propício à construção do conhecimento. O incentivo, a motivação que proporcionamos aos nossos alunos é imprescindível para o seu desenvolvimento, pois bons resultados iremos ter quando proporcionarmos um ambiente de trabalho que desperte no aluno o interesse por criar, comparar, discutir, rever, perguntar e ampliar suas ideias. O (OVA) - Alfabetização – ‘Viagem Espacial’ é um recurso capaz de promover no aluno o desenvolvimento de habilidades e atitudes que desenvolvam o conhecimento, de maneira lúdica, agradável. Para Moraes (2003, p. 215-216):
Assim, a postura reflexiva que surge no processo de mediação pedagógica, faz com que a colaboração e a cooperação floresçam mais facilmente no processo, aumentem a intensidade do diálogo e melhorem a sua qualidade, revelando que o diálogo externo é precedido do diálogo interno.
Diante desse contexto procuramos agir de forma cuidadosa mobilizando suas capacidades e potencialidades ao nível da atividade apresentada, nesse momento aproveitamos para identificar o que mais causava atração entre os alunos, o que mais gostavam de fazer, questionando-os a respeito, como modo de privilegiar seus interesses onde no nosso ponto de vista motivar passou a ser, também, um trabalho de atrair, encantar, prender a atenção, fato que despertou interesse pela atividade. Assim, para Masetto (2003) uma das características da mediação pedagógica é o diálogo permanente entre os envolvidos no processo educativo.
Desta maneira o professor passa a atuar mais como mediador, orientador, administrador, animador, ou seja, ele perde a função de ser o ponto principal, muitas vezes, o único transmissor de conhecimentos, essa atitude passa a ser repartida com o grupo, do qual ele também faz parte, para incorporar e enfatizar outras mais condizentes com a sua real atribuição: ajudar seus alunos a construir o conhecimento e para isso a sua presença contínua e participação efetiva são fundamentais. Nas escolas, as mudanças já começam e o perfil do aluno que chega hoje a escola, se apresenta diferente daquele aprendiz/receptor da geração passada.

3- DESENVOLVIMENTO DA EXPERIÊNCIA REALIZADA COM O PROJETO DE AÇÃO NA ESCOLA – PAE
Partindo da necessidade e das dificuldades encontradas no processo de alfabetização, vimos no projeto de leitura, a possibilidade de refletir sobre o processo de ensino aprendizagem da oralidade, leitura e escrita dos alunos do 2º ano, pois, acredito na ideia da construção do novo no diálogo entre professor, aluno e família, com o conhecimento. Além disso, sabemos que as crianças utilizam informações objetivas para aprender, mas também usam preferencialmente a brincadeira e os jogos de faz-de-conta para fazê-lo, muitas vezes falando alto para poderem ampliar seus conhecimentos a partir de um jogo entre a novidade que está sendo apresentada a elas e o que já conheciam sobre o assunto.
Nos dias de hoje, parece-nos inegável a importância da leitura e de saber ler, para que os cidadãos se integrem plenamente na vida quotidiana, em termos profissionais e em termos de lazer. A formação de crianças leitoras começa muito cedo, sendo a família a primeira instituição a promover e a colaborar nessa formação. Alguns estudos põem em evidência o papel desempenhado pela família da criança, na formação do gosto pela leitura e de hábitos de leitura. O adulto pode ser um intermediário afetivo, entre a criança e o texto, tornando deste modo o momento da leitura num momento de grande sensibilidade e de grande ternura. A família deve promover e facilitar o contato da criança com o livro e com outros materiais impressos, despertando nela o desejo e a curiosidade de ler e fazendo da leitura uma rotina de prazer.
Sendo assim, o projeto Leia Comigo surge da necessidade de alternativas para solucionar problemas de leitura, escrita e aprendizado em geral dos alunos do 2º ano, pois, diante de diferentes situações constatamos que a rotina de atividades não estava sendo na maioria das vezes produtiva e que era perceptível em alguns alunos a 20/04/2012 dificuldade de reconhecer as palavras, concentrar-se, ter uma leitura compreensiva, expressar opiniões, emoções, sentimentos, assimilar conhecimento e ter um bom convívio social.
O processo de aprendizagem se estabelece diariamente na escola, onde o aluno, ao assimilar novas informações, aplica-as em situações diversas, também sabemos que a leitura é a porta de acesso à informação pelo indivíduo, e, portanto, deve ser uma tarefa compartilhada com a escola, família e sociedade em geral. Assim sendo apostamos no Projeto de Leitura – Leia Comigo, no apoio da família e nas possibilidades que o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação como a internet, os vídeos do you tube, blogs que nos possibilitam interagir e buscar informações, construir aprendizado. O projeto teve como objetivos, neste processo de alfabetização: despertar o interesse e o gosto pela leitura e aperfeiçoá-la de modo a garantir ao aluno o domínio da prática, desenvolvendo as habilidades de interação oral e escrita, buscando no âmbito familiar a parceria adequada que a criança necessita nesta fase de alfabetização; incentivar a prática da leitura no ambiente familiar; resgatar o valor do respeito; formar leitores críticos e reflexivos; promover a discussão acerca da literatura infantil na sala de aula; reconhecer a leitura como fonte de informação, de prazer e de conhecimento; refletir as práticas de leitura no contexto escolar e possibilitar vivências de leitura diversificadas; promover o acesso ao livro como um bem cultural, direito de todo cidadão, utilizando o computador como apoio para o aluno e o professor, fornecendo estímulos audiovisuais, intersociais e lúdicos, motivando o gosto pela descoberta, permitindo através de sua exploração, a construção do conhecimento, aprendendo aquilo que lhes é significativo.
Todas as ações como: leituras, histórias contadas, atividades lúdicas, desenho, apresentações, CDs, DVDs, postagens no blog obedeceram a um cronograma de atividades que foram desenvolvidas trimestralmente.
No primeiro trimestre oportunizamos ao aluno o contato com a leitura e com as tecnologias. Foi construída uma sacola e esta foi dada ao aluno. Na sacola além do caderno foram colocados os seguintes ítens: um livro montado artesanalmente, onde tiveram pequenos textos e atividades que o educando poderia interagir de maneira lúdica, um DVD com joguinhos educativos, cartelas com parlendas para serem lidas e repetidas várias vezes, um caderno de desenho, onde o aluno demonstrava de forma criativa o que mais lhe chamou atenção.
Quando iniciamos as atividades do Projeto de Leitura Leia Comigo, e levamos aos alunos a ‘Sacola de Leitura’ com as atividades, foi uma surpresa. Cada aluno teve a oportunidade de segurá-la e de fazer o reconhecimento dos itens que nela continham, questionando-os quanto ao seu valor e para que ela serviria, as respostas da maioria foram que era para ‘ler’ e ‘fazer as tarefas’, então, nesse momento informamos a eles a importância que passaria ter a atividade da ‘Sacola de Leitura’. Na sequência quiseram saber quem levaria a sacola para casa, então informamos que a cada dia um levaria a sacola, foi, assim, que todos manifestaram o interesse de levá-la. Essa atividade trouxe novas expectativas a respeito da aprendizagem, a partir daí os alunos passaram agir com mais interesse nos seus compromissos e foram cada vez mais participativos enquanto estavam em sala de aula. Todo esse processo foi realizado com a certeza que estava acontecendo a troca de saberes, experiências, o que proporcionou o enriquecimento de cada um. Quando as sacolas eram trocadas, os alunos questionavam “Quando a senhora vai trazer de novo?”. Percebemos que as atividades da sacola realizadas pelos alunos como ditado recortado, caça palavras, palavrinhas cruzadas eram realizadas com capricho e dedicação demonstrando o interesse que cada um tinha com a atividade. Reforçamos que esta sequencia didática auxiliou muito no processo de reconhecimento do (OVA), já que este seria a culminância do projeto.
No segundo trimestre, novamente foi entregue uma sacola, para assim dar continuidade ao projeto Leia Comigo. Na sacola além do caderno foram colocados os seguintes itens: um livro montado artesanalmente onde o aluno teve pequenos textos e atividades para interagir de maneira lúdica, cartelas com ditado recortado, um CD com cantigas de roda, um livrinho de historinha infantil, que depois de lido o aluno escreveria no caderno um pequeno comentário sobre a história que leu e um caderno de desenho, no qual poderia demonstrar de forma criativa o que mais o chamou atenção.
No terceiro trimestre, dando seguimento a proposta de trabalho, na sacola além do caderno foram colocados os seguintes itens: um livro montado artesanalmente onde o aluno teve pequenos textos e atividades para interagir de maneira lúdica, atividade de história em sequência e palavras cruzadas, um CD com a tabuada cantada, um livrinho de historinha infantil, que depois de lido o aluno escreveria no caderno um pequeno comentário sobre a história, e finalmente a apresentação da história que leu, para os colegas e a professora na sala de aula. Também um caderno de desenho onde o aluno demonstrou de forma criativa o que mais lhe chamou atenção, e para o familiar que o acompanhou, na sacola ainda tiveram receitas, jornal, um livro de literatura. Paralelo a sacola com atividades, houve a apresentação do (OVA) – Alfabetização ‘Viagem Espacial’.
A apresentação do (OVA) Alfabetização ‘Viagem Espacial’ à turma do 2º ano primeiramente foi marcada por alguns obstáculos que impediram a ter o acesso individual e ao mesmo tempo no computador, pois apesar da escola estar munida de equipamentos de última geração e com um laboratório extremamente equipado, passava pelo transtorno de não ter uma pessoa capacitada que monitorasse as suas funções. Visto isso, usamos o espaço da biblioteca onde apresentamos o (OVA), usando como meio o data show, dessa forma os alunos participavam individual e coletivamente, mas percebemos que os mesmos ficavam motivados e eufóricos na expectativa de ter a oportunidade de interagir com o objeto. Para isso passamos por várias visitas à biblioteca até que todos pudessem ter a experiência individual com o (OVA) e poder participar de todos os desafios que o (OVA) propunha, fato que ajudou imensamente na familiarização com o computador e contribuiu para o aprendizado e, sobretudo, para o processo da aquisição da leitura e da escrita. Cada fase concluída dava ao aluno a certeza de avançar por um novo caminho com muitos desafios que pouco a pouco, de acordo com a resolução dessas atividades, possibilitava-o de conhecer todos os mundos e, por fim, concluir a viagem que propunha o (OVA).
 Igualmente foi utilizada uma caixa com gibis que esteve em sala de aula dois dias por semana para que os alunos tivessem a possibilidade de manuseá-los e desenvolvessem a atividade de leitura. Os recursos utilizados no projeto foram de ordem humana e comum. Os recursos humanos foram alunos, pais, professora, monitoras e equipe diretiva e completaram os de uso comum os seguintes itens como: tecido, material de costura, caderno com pautas, caderno de desenho, cartolina, fita durex, revistas, jornais, gibis, livrinhos de literatura infantil, livros de literatura adulta e, finalmente, os de ordem tecnológica foram: CD, DVD, máquina digital, o laboratório de informática e o (OVA) – Alfabetização ‘Viagem Espacial’.
A viabilidade de reunirmos todos esses recursos tecnológicos principalmente o (OVA) – Alfabetização ‘Viagem Espacial’ aumentou para nosso aluno as possibilidades de aprendizado e acreditamos também que essa diversidade de meios é extremamente importante para concretizarmos nossa principal ideia que é a construção do conhecimento, com isso a situação de interação e envolvimento com os recursos faz com que os educandos se interliguem, promovam rapidez na elucidação dos conceitos e, sobretudo, que as ações sejam potencializadas. 
Dessa forma, hoje, a facilidade de inserirmos a tecnologia, dando ênfase ao (OVA) – Alfabetização ‘Viagem Espacial’, desperta o interesse e a capacidade de interação do aluno com o computador, assim percebemos que o primeiro contato com o (OVA) foi de extrema curiosidade, fato que permitiu que cada aluno se envolvesse no processo de interação com o (OVA), reagindo de forma participativa, resolvendo as atividades desafiadoras que tal recurso tecnológico proporciona, atividades estas que exercitam conceitos que dizem respeito ao processo de alfabetização, fazendo com que o aluno através dos desafios execute atividades que contemplem etapas distintas, recebendo ao concluir cada percurso a possibilidade de avançar sobre as fases da alfabetização: pré silábica, silábica e alfabética que estão presentes nos desafios do (OVA) – Alfabetização ‘Viagem Espacial’.

4-    CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com as mudanças vivenciadas atualmente e o surgimento das novas tecnologias, percebemos que as atividades desenvolvidas com o (OVA) – Alfabetização ‘Viagem Espacial’ e as respectivas reflexões, teorias e práticas apresentadas nos permitiram afirmar que durante as atividades foi necessária a participação ativa dos alunos no sentido de superar e construir o conhecimento. A tarefa de auxiliar para que o aluno atingisse esse conhecimento dependeu das atividades propostas, as quais necessitavam ter por base a curiosidade, o interesse e as necessidades expressas sobre o tema abordado. Foi preciso utilizar atividades diferenciadas para que fosse possível a devida compreensão em um processo de interação e diálogo. Foi meramente importante que o recurso multimídia como o Objeto Virtual de Aprendizagem fosse utilizado como um recurso motivador para o aluno e para nossa prática pedagógica que frente a esse recurso tivemos participação ativa como mediadoras, auxiliando no processo de ensino aprendizagem.
Com isso pode-se perceber a importância das TIC, que, certamente, não são meros suportes tecnológicos, elas têm suas próprias lógicas, sua linguagem com inúmeras possibilidades do uso correto das tecnologias, bem como, a participação efetiva na área da educação e, principalmente, na execução projeto Leia Comigo garantiu uma melhor assimilação e interesse dos alunos, pois quando participamos efetivamente do projeto conseguimos perceber a importância do que estava sendo proposto para o estudo.
E assim percebemos a aplicabilidade do que estava sendo aprendido no dia a dia. Foi necessário empenho, dedicação, ação. Quando fomos desafiadas a questionar, quando nos perturbamos e necessitamos pensar para expressar as dúvidas, quando foi permitido formular questões que significavam muito, emergimos na nossa história de vida, dos interesses particulares, nossos valores e condições pessoais, passamos a desenvolver a competência para formular e resolver as diversas situações que impediam o desenvolvimento do aluno no processo ensino aprendizagem e que o fizessem ser capaz de desenvolver o gostar de ler. Com isso, entendemos que quem consegue detectar problema que impede o aluno de aprender, começa a aprender a definir as direções de sua atividade.

REFERÊNCIAS
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HAMA, Marcelo; HIGASHE, Tereza; LIMA, Ivan Shirahama Loureiro de; SOUZA, Daniela Cristina Barros de. Objeto Virtual de Aprendizagem – “Viagem Espacial” – Disponível em: <http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/12619> Acessado em: Julho de 2011.

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[1] De acordo com a teoria exposta em Psicogênese da Língua Escrita de Emília Ferreiro e Anna Teberosky, toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada. As fases podem ser chamadas de pré-silábica, silábica, silábico-alfabética e alfabética. Na primeira a pré-silábica a criança não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada, na segunda a silábica a criança interpreta a letra a sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada uma, na terceira fase a silábico-alfabética a criança mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas e na quarta e última fase a alfabética domina, enfim, o valor das letras e sílabas.

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