SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO
GRANDE - FURG
SISTEMA UNIVERSIDADE ABERTA
DO BRASIL - UAB
ESPECIALIZAÇÃO EM
TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA EDUCAÇÃO
TIC-EDU 2012
LEIA COMIGO
Orientador(a): Msc. Valéria Ferreira de Oliveira
Banca: Msc. Joice Rejane Pardo Maurell
Polo Extremo Meridional
2012
LEIA COMIGO
ROZANE CORRÊA SCHMALFUSS
RESUMO
O presente artigo tem como finalidade relatar e analisar
os dados coletados na aplicação de um Projeto de Ação na Escola (PAE),
construído no curso de pós-graduação em Tecnologias de Informação e Comunicação
na Educação (TIC-Edu), no nível de especialização e na modalidade à distância
pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Assim, o projeto visou despertar
o interesse e o gosto pela leitura e aperfeiçoá-la, de modo a garantir o
domínio da prática, tendo como recurso as tecnologias que ajudam a desenvolver
as habilidades de interação oral e escrita, mais especificamente o Objeto
Virtual de Aprendizagem (OVA) – Alfabetização ‘Viagem Espacial’. Este, por sua
vez, teve como objetivos proporcionar desafios, realizados através do
computador, que contribuíssem para o processo de ensino aprendizagem das
crianças em fase de alfabetização, como também, cooperar com um público
específico de alunos que apresentavam algum tipo de deficiência intelectual
e/ou física, tudo isso sendo mediado pelo professor que através das
metodologias construtivistas gera atividades criativas, valorizando a prática
pedagógica e promovendo situações de aprendizado. Toda essa vivência das ações
elaboradas durante o projeto promoveu na turma do 2º ano do Ensino Fundamental
maior interesse pela leitura, fazendo com que a melhoria no aprendizado fosse o
resultado do projeto realizado.
Palavras-chaves: Objetos Virtuais de
Aprendizagem. Alfabetização. Mediação
Pedagógica. Leitura.
1- INTRODUÇÃO
Logo após ter
concluído o magistério comecei a exercer a profissão na rede municipal, no ano
seguinte a esse começo passei a cursar a minha primeira graduação, a Licenciatura
Plena em Letras – Português/ Inglês realizada em Santa Vitória do Palmar pela
Fundação Universidade de Rio Grande – FURG, foi então que a minha realidade
como professora começou a mudar, pois, busquei este curso a fim de que pudesse estar
me atualizando e que viesse promover melhorias na minha prática docente, então
com o ingresso no curso de pós-graduação em Tecnologias de Informação e
Comunicação na Educação (TIC-Edu) pude perceber que o uso das tecnologias
aliadas a mediação pedagógica vem contribuir para o processo
ensino-aprendizagem.
Assim, este
trabalho foi elaborado com o propósito de atender as exigências necessárias
para a conclusão do curso de pós-graduação em Tecnologias de Informação e
Comunicação na Educação (TIC-Edu), no nível de especialização e na modalidade à
distância pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG e ainda relatar e
analisar o Projeto de Ação na Escola (PAE) Leia Comigo, que foi fundamentado em
metodologias construtivistas, tendo como recurso motivador o uso das
tecnologias, dando ênfase ao uso do Objeto Virtual de Aprendizagem (OVA) –
Alfabetização ‘Viagem Espacial’.
O referido projeto teve como objetivo diminuir as dificuldades na
aquisição da leitura e da escrita, promover e ampliar os conhecimentos e o uso
das tecnologias, bem como, refletir sobre a mediação pedagógica dos recursos
tecnológicos no Projeto de Ação na Escola, pois quando falamos nas Tecnologias
da Informação percebemos que a sociedade está mudando e, cada vez mais somos
surpreendidos com grandes inovações tecnológicas, que se inserem em nossas
vidas com muita rapidez. Esse avanço tecnológico desafia-nos a interagir e com
isso nos proporciona a informação e o conhecimento, capazes de propor uma nova
maneira de organizar nossas ideias, de selecionar e de promover a construção de
aprendizados significativos, trazendo benefícios à comunidade em geral,
sobretudo, a projetos que primem pela qualidade e o desenvolvimento da
educação. Sendo assim, estaremos contribuindo para a formação de um cidadão
crítico que saiba usar os meios tecnológicos com eficácia.
Ao relatar fatos
que dizem respeito a uma trajetória de acontecimentos no cotidiano, que
compreende a minha formação escolar e acadêmica e sobre tudo a minha vida
profissional, cito Portelli (1997), o qual diz que apesar das memórias
individuais serem constituídas a partir dessa vivência socialmente
compartilhada, elas serão sempre singulares e únicas, pois cada sujeito traz
consigo uma experiência própria de vida e, neste aspecto, reforço minha ideia
de que tudo o que pensamos e que obviamente acabamos falando é fruto de uma
gama de informações que se constitui serem apenas nossas, onde nos tornamos
meros repetidores de uma memória culturalmente enriquecida de fatos e ações
conhecidas, sentidas ou presenciadas por nós durante toda nossa vida, assim, o
ingresso na escola, a formação escolar e acadêmica até a presente data constituíram
uma história de vida e, porque não dizer, uma descoberta de possibilidades que
aliada à persistência me conduziu ao conhecimento, me proporcionou experiências
no decorrer da jornada, fato que possibilitou a conquista de espaços que são
preciosos para minha pessoa.
Reitero o quanto
foi e é importante a inserção das tecnologias na minha vida profissional e
acadêmica, sendo também fundamental para minha trajetória educacional no curso
de pós-graduação em Tecnologia da Informação e Comunicação na Educação (TIC-Edu).
Para tanto,
igualmente, saliento que a família aliada a todo esse trabalho é peça fundamental,
de maneira a contribuir na formação da criança, pois acredito que a presença da
família, e a maneira pela qual se posiciona, é determinante nesta etapa
fazendo-a entender o quanto valores como respeito, educação, cidadania são importantes
para sua vida, e afirmo que tais aspectos fizeram parte do relato do Projeto de
Ação na Escola (PAE) – o projeto Leia Comigo.
Todos esses anos me
fizeram reconhecer o quanto é importante zelar pela vida em família e todos os
benefícios que esse convívio nos proporciona, da luta, da persistência dos meus
pais para garantir o bem-estar de todos. Vejo hoje situações que se assemelham
à vida passada, porém com mais recursos, facilidades que antes não tínhamos ou
desconhecíamos. Esses fatores foram de extrema relevância na busca por melhorias
na minha vida com finalidade de ser uma profissional atuante, participativa e
sempre disposta a aprender, assim, o conversar é um fluir na convivência, no
entrelaçamento do linguagear e do emocional. Segundo Maturana (2006) se
aprendermos uma profissão, estamos aprendendo uma rede de conversações, com
isso, estamos em constante aprendizado, isso facilitará para conduzirmos as
ações no dia a dia, melhorando a nossa convivência.
Ao ingressar no
curso Tecnologia da Informação e Comunicação na Educação (TIC-Edu) obtive uma
nova visão da aplicabilidade dos recursos tecnológicos na área da educação e,
sobretudo, adquiri um aprendizado quanto ao seu uso em geral, que mesmo não
identificando o seu valor, na verdade sempre estiveram presentes no meu
cotidiano, e nas minhas lembranças, e que delas fazia uso rotineiramente como
que numa forma alternativa de garantir uma boa maneira de se viver. Segundo
Kenski (1997) as tecnologias modificaram as formas de retentiva e lembrança,
funções usuais com que os homens armazenam e movimentam suas memórias humanas,
seus conhecimentos.
Atualmente, as
novas tecnologias de comunicação não apenas transformam as formas de
armazenamento e acesso das memórias humanas como, também, mudam o próprio
sentido do que é memória. Assim
sendo posso garantir que tanto as tecnologias velhas, como as novas fazem parte
de minhas ações que estão inseridas tão profundamente, que se torna totalmente
inviável sem elas o desenvolvimento das atividades tanto no contexto social
como no pedagógico. Neste último, percebo que os conhecimentos adquiridos com o
curso fizeram com que as atividades docentes que exercia ficassem bem mais
enriquecidas, tornando a minha prática mais segura, visto isso posso salientar
que conquistei conhecimento sobre as diversas maneiras em que as tecnologias
podem ser inseridas nas atividades docentes de forma a contribuir para o
aprendizado dos alunos.
Ainda é válido
ressaltar que todas as leituras feitas, todas as atividades realizadas, todos
os textos elaborados foram e ainda estão sendo valiosos instrumentos para o meu
embasamento teórico referente às exigências e necessidades da era do
conhecimento que vivemos, além disso, garanto que a modalidade de ensino em que
o curso é ofertado – Educação a Distância (EaD) traz inúmeras vantagens para
que possamos nos apropriar dos assuntos que devemos estudar, pois, acredito que
o ponto principal dessa modalidade é o aprender e fazer por si só, onde os
comandos e as orientações dos professores e tutores prevalecem, mas o destaque
para o perfeito rendimento no curso é o aluno que tem que querer ir além.
Dessa forma, o
Projeto de Ação na Escola (PAE) foi desenvolvido, e, entendendo as dificuldades
enfrentadas pelos alunos na aquisição da leitura e da escrita, promovi e enfrentei
desafios de forma a construir o conhecimento, usando as tecnologias e,
sobretudo, o (OVA) – Alfabetização ‘Viagem Espacial’ no projeto Leia Comigo.
Em suma, a presente
análise irá pautar-se em uma reflexão acerca do (OVA) como sendo um recurso
pedagógico de extrema valia ao professor, já que este poderá explorá-lo,
desenvolvendo em sala de aula a leitura e a escrita. Para tais elucubrações, no
desenvolvimento dos textos, serão utilizados autores de renome como: Ferreiro e
Teberosky, Valente, Neto, Moraes, entre outros, de extrema relevância para o
entendimento do assunto proposto. A seguir relata-se o desenvolvimento da
experiência através do projeto Leia Comigo.
2- O OVA COMO UMA DAS FERRAMENTAS PEDAGÓGICAS QUE CONTRIBUI NO PROCESSO DE
LEITURA E ESCRITA
Inicialmente, para
falar em Educação, pensamos na leitura, como fator primordial à alfabetização
do aluno. Infelizmente no Brasil poucas pessoas possuem o hábito de ler. A
leitura como fator educacional, constrói dentro do ser humano, um campo enorme
de conhecimento, seja do mundo, como de si mesmo. A leitura é à base do
processo de alfabetização e também da formação da cidadania. Ao ler uma
história a criança desenvolve todo um potencial crítico: pensar, duvidar,
questionar e, para Silva (2009) o ler se torna estimulante. Pensando nisso,
achei necessário que algumas ações a serem vivenciadas no Projeto de Ação na
Escola (PAE) estivessem voltadas para o uso das tecnologias, fato que
contribuiu para inserir o Objeto Virtual de Aprendizagem (OVA), Alfabetização, como
recurso específico, que tem o propósito de atender não apenas alunos em fase de
alfabetização, mas também a um grupo especial de alunos que apresentem algum
tipo de deficiência, seja ela intelectual e/ou física.
O (OVA) Alfabetização
– ‘Viagem Espacial’, de modo geral, serve como recurso pedagógico de apoio no
processo de ensino aprendizagem dos alunos das séries iniciais do ensino
fundamental, considerado como base teórica da alfabetização, nos níveis de
desenvolvimento e da aquisição da Língua Escrita, ideias de Ferreiro e Teberosky
(1986), com atividades que exercitam o nível pré-silábico, o silábico e o
alfabético, servindo para despertar e desenvolver no aluno, de maneira lúdica,
a capacidade de atenção e raciocínio e proporcionando ao professor a
possibilidade de interagir como elemento motivador e participante, contribuindo
para que o aluno seja capaz de construir o conhecimento e atingir os seus
objetivos.
A nossa escola
atualmente propõe o letramento e alfabetização da criança através do contato
com uma gama variada de texto, com destaque especial aos livros de Literatura Infantis,
hoje disponibilizados amplamente pela Internet. A criança, ao ficar inserida
nesse contexto, amplia seu mundo letrado, rico em significados, desenvolvendo-se
como cidadão participativo, mais autônomo e mais consciente dos seus direitos e
deveres, realizando melhor a leitura do mundo que a cerca.
Ao entrar em
contato com o universo dos contos de fadas, que segundo Bettelhein (2002)
oferece níveis diferentes de significado, a criança enriquece sua existência
pela diversidade das contribuições possibilitadas por esses contos à sua vida.
Ela vai construindo o seu conhecimento da linguagem escrita de maneira
prazerosa e interessante.
De acordo com Valente
(2000), com o computador e a tecnologia digital o aluno interage com os objetos
de conhecimento de maneira mais rica. Cabe ao professor, como mediador desse
processo, apropriar-se definitivamente destas ferramentas e mecanismos, que são
as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), para que o aluno usufrua da
diversidade textual contida nas telas, ampliando com isso suas possibilidades
de escolhas.
2.1- OBJETOS VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM - CONCEITOS
Para entender e
conhecer os Objetos Virtuais de Aprendizagem podemos conceituá-los como
qualquer recurso digital ou não, elaborados para atuarem como recursos na
educação. Tem-se como exemplos: textos, animações, vídeos, imagens, com
características primordiais de serem reaproveitados em diferentes situações de
aprendizado. Assim, para Neto (2008) podemos considerar o (OVA) como qualquer
entidade, digital ou não digital, que possa ser utilizada, reutilizada ou
referenciada durante o aprendizado, suportado por tecnologias.
São muitas as definições a cerca dos
Objetos Virtuais de Aprendizagens (OVA), mas o Objeto Virtual de Aprendizagem o
qual fazemos referência neste artigo é um recurso digital reutilizável, com
atividades consideradas de multimídia, com animações e simulações, fato que
esclarece a maneira interativa que exerce.
Notamos que assim o aluno tem
possibilidade de construir o conhecimento, mas de uma forma diferenciada, mais
alegre, ele constrói o conhecimento brincando, assim se retrata mais uma
característica dos Objetos Virtuais de Aprendizagens (OVA), o lúdico.
O lúdico pode colaborar de forma
expressiva para o crescimento do ser humano, seja ele de qualquer idade,
cooperando não só na aprendizagem, mas também no desenvolvimento social,
pessoal e cultural, facilitando no processo de socialização, comunicação,
expressão e construção do pensamento.
É
notável a importância do “lúdico” como os jogos, os brinquedos e as
brincadeiras para crescimento físico e intelectual e no desenvolvimento do
ensino aprendizagem do aluno. As atividades lúdicas são de suma importância na
infância, o seu uso contribui no trabalho pedagógico, estimulando a construção
do conhecimento e despertando o interesse pela aprendizagem.
Um
(OVA) pode ajudar o professor no seu dia a dia em sala de aula, para
complementar e enriquecer as atividades de rotina, uma vez que oferece
diferentes ferramentas para apoiar o processo de aprendizagem, mas se deve ter
cautela e bom senso no uso dos elementos como multimídia em simulações,
imagens, textos, sons, animações e vídeos, estes se bem usados poderão
contribuir e desempenhar um papel importante na aquisição de conhecimento, e
caso contrário, se alguns elementos forem usados com excesso o resultado poderá
ser a exaustão, fazendo com que o aluno perca o interesse em executar as atividades,
para isso seria aconselhável reutilizar, porém com diversidade e
criatividade.
Mas,
certamente, os (OVA) podem ser considerados na totalidade recursos pedagógicos
que despertam a atenção e o empenho para desenvolver as atividades, permitindo
aos alunos acompanhar o conteúdo em seu ritmo, o acesso a informações de forma
fácil e envolvente, de forma independente e autônoma na aprendizagem, pela
descoberta do novo.
Esta ferramenta favorece aos alunos uma participação
ativa na construção do conhecimento e desenvolvimento cognitivo. Este (OVA)
sugere ao aluno uma viagem espacial dentro do ambiente do
software, onde o aluno é convidado a participar e é desafiado a
resolver as atividades que nele se encontram. Estas contemplarão conceitos
relativos ao processo de alfabetização e, em cada desafio concluído, novas
atividades são ofertadas para que o aluno desenvolva-se avançando nas fases de alfabetização
.
No Objeto se percebe efeito de sons e fala de
personagens que com sua presença promovem interação com o aluno, sugerindo a
ele os caminhos adequados a seguir em sua viagem. Para iniciar a viagem existe
um período de pré-viagem, essas atividades têm como objetivo organizar-se para
a viagem, que é o primeiro desafio a ser vencido e, na sequência ao passar a
fase de pré-viagem, o aluno tem acesso à tela onde estão os três ‘planetas’,
mundos distinto que devem ser percorridos, mas só poderá começar pelo mundo de
nível inicial, onde as atividades são de nível pré-silábico. As atividades do
segundo mundo são de nível silábico e as do terceiro são de nível alfabético.
Dentro de cada mundo, o aluno poderá clicar em cada
ambiente, que corresponde a um desafio. Os ambientes estão indicados no cenário
que se apresenta na tela, por postes com bandeirinha em vermelho. Ao concluir
cada desafio a bandeirinha fica com a cor verde, o que facilita perceber o que
já foi realizado e o que ainda falta fazer para poder partir para o próximo
mundo. As ações do (OVA) são todas narradas e sobre tudo ainda aparece o texto
em cada tela, escrito em balões de fala que acompanham o personagem. Durante o
desafio o aluno poderá ser auxiliado clicando no botão de ajuda caso tenha
dúvidas sobre como proceder diante da atividade.
2.2- OBJETOS VIRTUAIS DE
APRENDIZAGEM E A MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA
O mundo, as
pessoas, as atitudes estão mudando e isso está ocorrendo de maneira quase
despercebida, o surgimento das tecnologias da informação e comunicação
contribuem de forma enfática para que ocorram essas mudanças, principalmente na
Educação, pois se apropriarmos a metodologia e os recursos audiovisuais e de
multimídia de maneira que haja interação com os alunos é, também, uma forma de
fazer da aula um momento propício à construção do conhecimento. O incentivo, a
motivação que proporcionamos aos nossos alunos é imprescindível para o seu
desenvolvimento, pois bons resultados iremos ter quando proporcionarmos um
ambiente de trabalho que desperte no aluno o interesse por criar, comparar,
discutir, rever, perguntar e ampliar suas ideias. O (OVA) - Alfabetização – ‘Viagem
Espacial’ é um recurso capaz de promover no aluno o desenvolvimento de
habilidades e atitudes que desenvolvam o conhecimento, de maneira lúdica,
agradável. Para Moraes (2003, p. 215-216):
Assim, a postura
reflexiva que surge no processo de mediação pedagógica, faz com que a
colaboração e a cooperação floresçam mais facilmente no processo, aumentem a
intensidade do diálogo e melhorem a sua qualidade, revelando que o diálogo
externo é precedido do diálogo interno.
Diante desse
contexto procuramos agir de forma cuidadosa mobilizando suas capacidades e
potencialidades ao nível da atividade apresentada, nesse momento aproveitamos
para identificar o que mais causava atração entre os alunos, o que mais
gostavam de fazer, questionando-os a respeito, como modo de privilegiar seus
interesses onde no nosso ponto de vista motivar passou a ser, também, um
trabalho de atrair, encantar, prender a atenção, fato que despertou interesse
pela atividade. Assim, para Masetto (2003) uma das características da mediação
pedagógica é o diálogo permanente entre os envolvidos no processo educativo.
Desta maneira o
professor passa a atuar mais como mediador, orientador, administrador,
animador, ou seja, ele perde a função de ser o ponto principal, muitas vezes, o
único transmissor de conhecimentos, essa atitude passa a ser repartida com o
grupo, do qual ele também faz parte, para incorporar e enfatizar outras mais
condizentes com a sua real atribuição: ajudar seus alunos a construir o
conhecimento e para isso a sua presença contínua e participação efetiva são
fundamentais. Nas escolas, as
mudanças já começam e o perfil do aluno que chega hoje a escola, se apresenta
diferente daquele aprendiz/receptor da geração passada.
3- DESENVOLVIMENTO DA EXPERIÊNCIA
REALIZADA COM O PROJETO DE AÇÃO NA ESCOLA – PAE
Partindo da
necessidade e das dificuldades encontradas no processo de alfabetização, vimos
no projeto de leitura, a possibilidade de refletir sobre o processo de ensino aprendizagem
da oralidade, leitura e escrita dos alunos do 2º ano, pois, acredito na ideia
da construção do novo no diálogo entre professor, aluno e família, com o
conhecimento. Além disso, sabemos que as crianças utilizam informações
objetivas para aprender, mas também usam preferencialmente a brincadeira e os
jogos de faz-de-conta para fazê-lo, muitas vezes falando alto para poderem
ampliar seus conhecimentos a partir de um jogo entre a novidade que está sendo
apresentada a elas e o que já conheciam sobre o assunto.
Nos dias de hoje,
parece-nos inegável a importância da leitura e de saber ler, para que os
cidadãos se integrem plenamente na vida quotidiana, em termos profissionais e
em termos de lazer. A formação de crianças leitoras começa muito cedo, sendo a
família a primeira instituição a promover e a colaborar nessa formação. Alguns
estudos põem em evidência o papel desempenhado pela família da criança, na
formação do gosto pela leitura e de hábitos de leitura. O adulto pode ser um
intermediário afetivo, entre a criança e o texto, tornando deste modo o momento
da leitura num momento de grande sensibilidade e de grande ternura. A família
deve promover e facilitar o contato da criança com o livro e com outros
materiais impressos, despertando nela o desejo e a curiosidade de ler e fazendo
da leitura uma rotina de prazer.
Sendo assim, o projeto Leia Comigo surge da necessidade de alternativas para
solucionar problemas de leitura, escrita e aprendizado em geral dos alunos do
2º ano, pois, diante de diferentes situações constatamos que a rotina de
atividades não estava sendo na maioria das vezes produtiva e que era
perceptível em alguns alunos a 20/04/2012 dificuldade de reconhecer as
palavras, concentrar-se, ter uma leitura compreensiva, expressar opiniões,
emoções, sentimentos, assimilar conhecimento e ter um bom convívio social.
O processo de
aprendizagem se estabelece diariamente na escola, onde o aluno, ao assimilar
novas informações, aplica-as em situações diversas, também sabemos que a
leitura é a porta de acesso à informação pelo indivíduo, e, portanto, deve ser
uma tarefa compartilhada com a escola, família e sociedade em geral. Assim
sendo apostamos no Projeto de Leitura – Leia Comigo, no apoio da família e
nas possibilidades que o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação como a
internet, os vídeos do you tube, blogs
que nos possibilitam interagir e buscar informações, construir aprendizado. O
projeto teve como objetivos, neste processo de alfabetização: despertar o
interesse e o gosto pela leitura e aperfeiçoá-la de modo a garantir ao aluno o
domínio da prática, desenvolvendo as habilidades de interação oral e escrita,
buscando no âmbito familiar a parceria adequada que a criança necessita nesta
fase de alfabetização; incentivar a prática da leitura no ambiente familiar;
resgatar o valor do respeito; formar leitores críticos e reflexivos; promover a
discussão acerca da literatura infantil na sala de aula; reconhecer a leitura
como fonte de informação, de prazer e de conhecimento; refletir as práticas de
leitura no contexto escolar e possibilitar vivências de leitura diversificadas;
promover o acesso ao livro como um bem cultural, direito de todo cidadão,
utilizando o computador como apoio para o aluno e o professor, fornecendo
estímulos audiovisuais, intersociais e lúdicos, motivando o gosto pela
descoberta, permitindo através de sua exploração, a construção do conhecimento,
aprendendo aquilo que lhes é significativo.
Todas as ações como: leituras,
histórias contadas, atividades lúdicas, desenho, apresentações, CDs, DVDs,
postagens no blog obedeceram a um cronograma de atividades que foram
desenvolvidas trimestralmente.
No primeiro trimestre oportunizamos ao
aluno o contato com a leitura e com as tecnologias. Foi construída uma sacola e
esta foi dada ao aluno. Na sacola além do caderno foram colocados os seguintes
ítens: um livro montado artesanalmente, onde tiveram pequenos textos e
atividades que o educando poderia interagir de maneira lúdica, um DVD com
joguinhos educativos, cartelas com parlendas para serem lidas e repetidas
várias vezes, um caderno de desenho, onde o aluno demonstrava de forma criativa
o que mais lhe chamou atenção.
Quando iniciamos as atividades do Projeto
de Leitura Leia Comigo, e levamos aos alunos a ‘Sacola de Leitura’ com as
atividades, foi uma surpresa. Cada aluno teve a oportunidade de segurá-la e de
fazer o reconhecimento dos itens que nela continham, questionando-os quanto ao
seu valor e para que ela serviria, as respostas da maioria foram que era para ‘ler’
e ‘fazer as tarefas’, então, nesse momento informamos a eles a importância que
passaria ter a atividade da ‘Sacola de Leitura’. Na sequência quiseram saber
quem levaria a sacola para casa, então informamos que a cada dia um levaria a
sacola, foi, assim, que todos manifestaram o interesse de levá-la. Essa
atividade trouxe novas expectativas a respeito da aprendizagem, a partir daí os
alunos passaram agir com mais interesse nos seus compromissos e foram cada vez
mais participativos enquanto estavam em sala de aula. Todo esse processo foi
realizado com a certeza que estava acontecendo a troca de saberes,
experiências, o que proporcionou o enriquecimento de cada um. Quando as sacolas
eram trocadas, os alunos questionavam “Quando a senhora vai trazer de novo?”.
Percebemos que as atividades da sacola realizadas pelos alunos como ditado
recortado, caça palavras, palavrinhas cruzadas eram realizadas com capricho e
dedicação demonstrando o interesse que cada um tinha com a atividade.
Reforçamos que esta sequencia didática auxiliou muito no processo de
reconhecimento do (OVA), já que este seria a culminância do projeto.
No segundo trimestre, novamente foi entregue uma sacola, para assim dar
continuidade ao projeto Leia Comigo.
Na sacola além do caderno foram colocados os seguintes itens: um livro
montado artesanalmente onde o aluno teve pequenos textos e atividades para interagir
de maneira lúdica, cartelas com ditado recortado, um CD com cantigas de roda,
um livrinho de historinha infantil, que depois de lido o aluno escreveria no
caderno um pequeno comentário sobre a história que leu e um caderno de desenho,
no qual poderia demonstrar de forma criativa o que mais o chamou atenção.
No terceiro trimestre, dando seguimento a
proposta de trabalho, na sacola além do caderno foram colocados os
seguintes itens: um livro montado artesanalmente onde o aluno teve pequenos
textos e atividades para interagir de maneira lúdica, atividade de história em
sequência e palavras cruzadas, um CD com a tabuada cantada, um livrinho de
historinha infantil, que depois de lido o aluno escreveria no caderno um pequeno
comentário sobre a história, e finalmente a apresentação da história que leu,
para os colegas e a professora na sala de aula. Também um caderno de desenho
onde o aluno demonstrou de forma criativa o que mais lhe chamou atenção, e para
o familiar que o acompanhou, na sacola ainda tiveram receitas, jornal, um livro
de literatura. Paralelo a sacola com atividades, houve a apresentação do (OVA) –
Alfabetização ‘Viagem Espacial’.
A apresentação do (OVA)
Alfabetização ‘Viagem Espacial’ à turma do 2º ano primeiramente foi marcada por
alguns obstáculos que impediram a ter o acesso individual e ao mesmo tempo no
computador, pois apesar da escola estar munida de equipamentos de última
geração e com um laboratório extremamente equipado, passava pelo transtorno de
não ter uma pessoa capacitada que monitorasse as suas funções. Visto isso, usamos
o espaço da biblioteca onde apresentamos o (OVA), usando como meio o data show, dessa forma os alunos
participavam individual e coletivamente, mas percebemos que os mesmos ficavam
motivados e eufóricos na expectativa de ter a oportunidade de interagir com o
objeto. Para isso passamos por várias visitas à biblioteca até que todos
pudessem ter a experiência individual com o (OVA) e poder participar de todos
os desafios que o (OVA) propunha, fato que ajudou imensamente na familiarização
com o computador e contribuiu para o aprendizado e, sobretudo, para o processo
da aquisição da leitura e da escrita. Cada fase concluída dava ao aluno a certeza
de avançar por um novo caminho com muitos desafios que pouco a pouco, de acordo
com a resolução dessas atividades, possibilitava-o de conhecer todos os mundos
e, por fim, concluir a viagem que propunha o (OVA).
Igualmente foi utilizada uma caixa com gibis
que esteve em sala de aula dois dias por semana para que os alunos tivessem a
possibilidade de manuseá-los e desenvolvessem a atividade de leitura. Os recursos utilizados no projeto foram de ordem
humana e comum. Os recursos humanos foram alunos, pais, professora,
monitoras e equipe diretiva e completaram os de uso comum os seguintes itens como: tecido, material de costura,
caderno com pautas, caderno de desenho, cartolina, fita durex, revistas,
jornais, gibis, livrinhos de literatura infantil, livros de literatura adulta e,
finalmente, os de ordem tecnológica
foram: CD, DVD, máquina digital, o laboratório de informática e o (OVA) –
Alfabetização ‘Viagem Espacial’.
A viabilidade de
reunirmos todos esses recursos tecnológicos principalmente o (OVA) – Alfabetização
‘Viagem Espacial’ aumentou para nosso aluno as possibilidades de aprendizado e
acreditamos também que essa diversidade de meios é extremamente importante para
concretizarmos nossa principal ideia que é a construção do conhecimento, com
isso a situação de interação e envolvimento com os recursos faz com que os
educandos se interliguem, promovam rapidez na elucidação dos conceitos e,
sobretudo, que as ações sejam potencializadas.
Dessa forma, hoje,
a facilidade de inserirmos a tecnologia, dando ênfase ao (OVA) – Alfabetização ‘Viagem
Espacial’, desperta o interesse e a capacidade de interação do aluno com o
computador, assim percebemos que o primeiro contato com o (OVA) foi de extrema
curiosidade, fato que permitiu que cada aluno se envolvesse no processo de
interação com o (OVA), reagindo de forma participativa, resolvendo as
atividades desafiadoras que tal recurso tecnológico proporciona, atividades
estas que exercitam conceitos que dizem respeito ao processo de alfabetização,
fazendo com que o aluno através dos desafios execute atividades que contemplem
etapas distintas, recebendo ao concluir cada percurso a possibilidade de avançar
sobre as fases da alfabetização: pré silábica, silábica e alfabética que estão
presentes nos desafios do (OVA) – Alfabetização ‘Viagem Espacial’.
4- CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com
as mudanças vivenciadas atualmente e o surgimento das novas tecnologias, percebemos
que as atividades desenvolvidas com o (OVA) – Alfabetização ‘Viagem Espacial’ e
as respectivas reflexões, teorias e práticas apresentadas nos permitiram afirmar
que durante as atividades foi necessária a participação ativa dos alunos no
sentido de superar e construir o conhecimento. A tarefa de auxiliar para que o
aluno atingisse esse conhecimento dependeu das atividades propostas, as quais
necessitavam ter por base a curiosidade, o interesse e as necessidades
expressas sobre o tema abordado. Foi preciso utilizar atividades diferenciadas
para que fosse possível a devida compreensão em um processo de interação e
diálogo. Foi meramente importante que o recurso multimídia como o Objeto Virtual
de Aprendizagem fosse utilizado como um recurso motivador para o aluno e para nossa
prática pedagógica que frente a esse recurso tivemos participação ativa como
mediadoras, auxiliando no processo de ensino aprendizagem.
Com
isso pode-se perceber a importância das TIC, que, certamente, não são meros
suportes tecnológicos, elas têm suas próprias lógicas, sua linguagem com
inúmeras possibilidades do uso correto das tecnologias, bem como, a
participação efetiva na área da educação e, principalmente, na execução projeto
Leia
Comigo garantiu uma melhor assimilação e interesse dos alunos, pois
quando participamos efetivamente do projeto conseguimos perceber a importância
do que estava sendo proposto para o estudo.
E
assim percebemos a aplicabilidade do que estava sendo aprendido no dia a dia. Foi
necessário empenho, dedicação, ação. Quando fomos desafiadas a questionar,
quando nos perturbamos e necessitamos pensar para expressar as dúvidas, quando foi
permitido formular questões que significavam muito, emergimos na nossa história
de vida, dos interesses particulares, nossos valores e condições pessoais, passamos
a desenvolver a competência para formular e resolver as diversas situações que
impediam o desenvolvimento do aluno no processo ensino aprendizagem e que o
fizessem ser capaz de desenvolver o gostar de ler. Com isso, entendemos que
quem consegue detectar problema que impede o aluno de aprender, começa a
aprender a definir as direções de sua atividade.
REFERÊNCIAS
BETTELHEIM, Bruno. A
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De acordo com a teoria exposta em Psicogênese da
Língua Escrita de Emília Ferreiro e Anna Teberosky, toda criança passa por
quatro fases até que esteja alfabetizada. As fases podem ser chamadas de
pré-silábica, silábica, silábico-alfabética e alfabética. Na primeira a
pré-silábica a criança não consegue relacionar as letras com os sons da língua
falada, na segunda a silábica a criança interpreta a letra a sua maneira,
atribuindo valor de sílaba a cada uma, na terceira fase a silábico-alfabética a
criança mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas
sílabas e na quarta e última fase a alfabética domina, enfim, o valor das
letras e sílabas.